Falar em púbico

Falar em público para cientistas

Quando pensamos em divulgar e comunicar ciência raramente pensamos em falar em público. No entanto, grande parte da comunicação de ciência acontece oralmente. Como cientista e comunicadores de ciência passamos muito tempo a falar sobre ciência. Em congressos, em apresentações, em atividades de campo, em visitas guiadas a museus ou centros de ciência, em talks, em cafés com ciência, e até em conversa informais com familiares e amigos.

Comunicar ciência sempre foi um desafio, mas hoje, na era do pos-facto e do facto alternativo o desafio é ainda maior e mais importante. Transmitir informação, partilhar factos e conhecimento não é suficiente, precisamos atentar na forma como transmitimos essa informação, na forma como a audiência entende o que dizemos. Uma apresentação oral é mais do que apenas aquilo que temos a dizer. É a forma como nos apresentamos enquanto o dizemos, o tom em que falamos, aquilo que os nossos ouvintes pensam sobre nós enquanto nos ouvem. Como comunicadores de ciência devemos ter isso em conta, temos que nos focar na forma para além da mensagem.

Por isso partilho algumas dicas que julgo importantes ter em conta na preparação de apresentações orais.

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1-Organize a mensagem em função da audiência

Esta é, para mim, a dica mais importante no que toca a preparar comunicações (orais ou não).

You have to get out of yourself and into the audience.

Esta frase de Malcolm Love resume a importância de nos focarmos na audiência. Eu gosto de simplificar, dizendo it’s not about you. Não se esqueça disto, não é sobre si, é sobre a audiência. 

Atentar nesta frase mudou a forma como vejo a comunicação de ciência. É comum estarmos demasiado focados naquilo que nós pensamos sobre o assunto, na importância que nós achamos que aquele assunto tem. Em vez disse deveríamos focar-nos na audiência. Questões como De que forma a audiência vai beneficiar com o que estou a dizer? ou De que forma posso relacionar este tema com a vida da pessoas? ou Até que ponto este assunto é relevante para esta audiência em particularsão mais importantes do que Como posso fazer a audiência compreender o meu ponto de vista? 

2-Esqueça o power point

O power point pode ser uma excelente ferramenta para nos auxiliar a transmitir informação factual, dados, gráficos, estatísticas, ou imagens que complementem a nessa mensagem. No entanto, muitas vezes este acaba por ser um elemento distractor. Retira o foco do orador e distrai, tanto a audiência com o orador.

Quem nunca passou metade de uma apresentação de costas voltadas para a audiência enquanto tentava ler os números de um gráfico, ou todos os pontos de uma enumeração de dados que levante o dedo. Não preciso de poderes telepáticos para saber que não há muitos dedos levantados desse lado.

De facto, usar o power point acaba muitas vezes distrair o orador da mensagem principal, por criar ansiedade e hesitações ao orador e por aborrecer a audiência.

Sei o que está a pensar “eu preciso do  power point para transmitir toda a informação que quero”. É exatamente aqui que reside o problema. Não precisa. Lembre-me que falar com o público não é a mesma coisa de que falar com cientistas. O publico não está tão interessado em factos, dados e estatísticas como julga. Para não cientistas essa informação, embora interessante, é aborrecida. O publico comum quer ser surpreendido,  quer ser maravilhado pela a ciência.

3-Conte histórias relevantes

Como disse acima, transmitir conhecimentos não é suficiente para comunicar ciência de forma eficaz. É necessário criar uma conexão com a audiência, causar empatia. Uma ótima forma de o fazer é contar histórias. Podem ser histórias pessoais ou não, embora na minha experiência histórias pessoais funcionem particularmente bem. Pode falar dos problema que encontrou ao desenvolver o trabalho, daquela peripécia engraçada que lhe aconteceu no campo enquanto fazia recolha de dados.

4-Use metáforas

Transmitir conhecimento técnico para uma audiência não especialista é difícil. É extremamente difícil para um não cientista compreender processos que acontecem à nano-escala, ou que demoram milhões de anos a decorrer. É por isso importante desconstruir a ciência para que seja de mais fácil compreensão. Metáforas são uma boa técnica. Prefira metáforas simples, que recorram a exemplos do dia-a-dia para explicar processos complexos. Por exemplo, em tempos conheci uma professora de ciências que usava uma laranja para explicar a constituição das camadas terrestres aos seus alunos, comparando a casca da laranja com a crosta da terra.

5-Pratique, pratique, pratique

Acho que não é exagero dizer que a maioria de nós não pratica as suas apresentações orais. Não o fazemos por várias razões. Porque estamos convencidos que saber muito de um assunto é suficiente para conseguirmos falar dele de forma eficiente, porque ao longo das nossas carreiras fazemos tantas apresentações que achamos que já não precisamos de praticar e porque não fomos treinados para isso. Somos ensinados, desde a universidade, a preparar meticulosamente as nossas apresentações, reunir todos os dados, resumir a informação em gráficos, tabelas e esquemas, antecipar todas as potenciais perguntas da audiência, mas não a ensaiar, a praticar a apresentação.

O meu treino como toastmaster ensinou-me a ensaiar sempre antes de me apresentar perante uma audiência. Estruturar a mensagem como uma história, com introdução, desenvolvimento e conclusão, focar-me em 2 ou 3 pontos principais e selecionar os momentos-chave em que quero causar uma reação na audiência.

Este exercício tem trazido diversos benefícios, por várias razões. Ensaiar permite-me polir a mensagem, perceber onde estou a ser redundante, onde estou a transmitir demasiada informação, ou onde me estou a perder em tangentes que pouco interessam ao público. Por outro permite-me também melhorar a entrega, fazer a minha apresentação de forma mais fluida, com menos hesitações. Mais ainda, ter a apresentação bem ensaiada e preparada diminui a ansiedade e nervosismo que todos, independentemente de quão experientes somos, sentimos quando subimos a um palco.

O ideal será mesmo treinar em frente a outras pessoas, amigos ou familiares, que lhe deêm opinião sincera sobre quais são as partes mais interessantes e as mais enfadonhas, ou que lhe chame atenção para pequenos tiques ou hesitações que distraem os ouvintes.

6- Termine com uma mensagem forte

A forma como terminamos a nossa apresentação, aquilo a que os anglosaxónicos chama take-home message, é extremamente importante.

O ouvinte não vai recordar tudo o que foi dito numa palestra de 10 ou 20 minutos. Em vez disso vai fixar um ou dois momentos, frases-chave que na sua memória serão o resumo de toda a palestra.

Mais uma vez pergunto, quem nunca falou durante minutos a fio sobre um assunto, abordou questões que considerava importantíssimas para no final ver o ouvinte fixar-se num pormenor que tem pouca ou nenhuma importância tinha?

Uma mensagem final forte e impactante assegura que pelo menos um dos momentos que o ouvinte leva na memória contém a informação que consideramos mais importante, a mensagem-chave da nossa apresentação.

Há muito mais dicas, truques, técnicas que podemos aprender para melhorar as apresentações orais, mas estas parecem-me um bom ponto de partida. Boas apresentações!

Créditos da foto: https://skitterphoto.com/photographers/9/rudy-van-der-veen
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Ciência nas noticias, Scicomm, Storytelling

Como nasce um continente?

Há factos que consideramos verdades absolutas, dados que aprendemos na escola, que vêm em todos os livros, que todos sabemos.

O numero de oceanos e continente que a terra tem é um desses factos. Todos sabemos que há 6 continentes (Europa, Africa, América, Ásia, Oceania e Antártida).

E se a verdade não exatamente essa?

Um grupo de geólogos neozelandeses anunciou recentemente ter encontrado provas de que a terra tem um sétimo continente. E até já têm um nome para ele: a Zelândia.

O novo continente fica localizado no oceano pacífico, junto à austrália, e tem 4.9 milhões de quilómetros quadrados (o equivalente ao território da Índia). Inclui as ilhas a Nova Zelândia, da Nova Caledónia bem como outras pequenas ilhas. No entanto 94% do seu território está submerso nas águas do oceano Pacífico.

58a4840401fe586a018b4955-800N Mortimer et al/GSA Today

O leitor estará neste momento a perguntar-se, e com razão: Mas estando debaixo de água, como pode ser um continente?

Isto acontece porque o que define um continente, do ponto de vista geológico, não é o facto de estar emerso, mas sim as características geológicas do território. Os continentes apresentam rochas ricas em sílica diversas, ígneas, magmáticas e sedimentares enquanto os oceanos são constituídos quase exclusivamente por basaltos. A crosta continental é mais espessa e menos densa que a oceânica. Outro factor que diferencia os continente dos oceanos é o facto de o território dos continentes estar elevado relativamente ao dos oceanos.

Porque estas rochas estavam submersas foi particularmente difícil confirmar que se tratava, efetivamente, de um continente. Na realidade os geólogo têm vindo a estudar as rochas daquela região há mais de 20 anos e só agora conseguiram reunir evidências claras de que se trata de um continente independente.

E como pode haver um continente que não conhecíamos? Estava escondido, nasceu do nada? Nasceu? Será que os continentes também nascem?

A Zelândia nasceu, de facto, mas não foi agora. Tal como um bebé demora 9 meses a desenvolver-se na barriga da mãe também os continentes precisam de tempo para se desenvolverem. Um continente demora milhões de anos a formar-se.

Este começou a formar-se a 100 milhões de anos, quando a Gondwana, um supercontinente contemporâneo dos dinossauros, começou a fragmentar para dar origem aos continentes atuais.

Esta situação, de se identificar crosta continental submersa, não é inédita. No ano passado foi editado o novo mapa de Portugal, que inclui Portugal continental, as ilhas Atlânticas dos arquipélagos da Madeira e dos Açores e a plataforma continental, que corresponde à zona junto à costa portuguesa que está submersa nas águas do atlântico mas que contém crosta continental.

Este novo mapa resultou de anos de investigação que envolveu diversas instituições públicas e dezenas de investigadores. O alargamento da plataforma continental trará a Portugal benefícios financeiros diversos, já que o país ganha direitos de soberania sobre este território para efeitos de exploração e aproveitamento de recursos naturais, minerais ou seres vivos existentes no fundo do mar e no subsolo. A proposta portuguesa de alargamento da plataforma continental está neste momento a ser analisada pela Comissão de Limites de Plataforma Continental da Organização das Nações Unidas (ONU).

Como vê, caro leitor, a ciência está constantemente a evoluir e a descobrir novo conhecimento e na natureza nem tudo o que parece é.

Quem sabe se em poucos anos os seus filhos não aprenderão na escola que a terra tem 7 continentes?

Créditos da imagem: https://stocksnap.io/author/34699

Artigo publicado na imprensa regional no âmbito do projeto Ciência na Imprensa Regional da Ciência Viva em Abril de 2017:
http://www.noticiasdonordeste.pt/2017/04/como-nasce-um-continente.html
http://www.sulinformacao.pt/2017/04/sabia-que-afinal-ha-7-continentes-na-terra/
Scicomm

Todos ao Famelab

A edição de 2017 do concurso de comunicação de ciência Famelab está de volta (já falamos disso aqui) e eu vou estar a promove-la na próxima sexta feira no Planetário – Casa das Ciências de Braga.

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A partir das 21h30 podem ouvir-me contar como foi a experiência de participar nesta competiçã, qual a sensação de estar no palco do pavilhão do conhecimento e de tudo o que aprendi na master class com o Malcolm Love. Vão poder ainda ouvir-me fazer uma apresentação ao estilo Famelab em que em apenas 3 minutos e sem qualquer tipo de ajuda multimédia vou tentar explicar-vos um tema científico de forma fácil, interessante e divertida.

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A entrada é gratuita mas é necessária a inscrição para garantir o seu lugar. Para isso basta enviar email para o sociedadeorion@gmail.com.

Iniciativas, Scicomm

Famelab 2017 – Candidaturas abertas

Está aí mais uma edição do Famelab, um dos maiores concursos de comunicação de ciência do país.

As candidaturas ao Famelab Portugal estão abertas até dia 19 de março e concorrer é super fácil.

Os candidatos devem ser maiores de idade e trabalhar (ou estudar) numa área STEM (ciência, tecnologia engenharia e matemática).

As candidaturas devem ser apresentadas no formato de um vídeo de 3 minutos em que apresentem um tópico científico. Este pode ser qualquer coisa, um conceito, um acontecimento importante na história da ciência, you name it.

Os candidatos com os melhores vídeos serão selecionados para a semi-final, que acontece a 22 de Abril na Fundação Gulbenkian onde apresentam, perante uma audiência e perante o juri, a comunicação que enviaram por vídeo.

As 10 melhores prestações serão selecionadas para participarem na grande final nacional que acontece no Pavilhão do conhecimento no dia 14 de Maio.

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Finalistas edição 2016*

Os 10 finalistas terão ainda oportunidade de participarem numa Masterclass de comunicação de ciência conduzida por um profissional do Cheltenham Science Festival. Nesta masterclass os finalistas vão aprender técnicas para elevarem as suas apresentações, desde como preparar os textos, até técnicas de apresentação em público.

Datas importantes:

19 de Março: Data limite para as inscrições no FameLab Portugal.

22 de Abril: Semi-final na Fundação Calouste Gulbenkian.

29 e 30 de Abril: Masterclass na Fundação Calouste Gulbenkian.

14 de Maio: Final nacional no Pavilhão do Conhecimento – Ciência Viva.

6 a 11 de Junho: Final Internacional no Cheltenham Festival, Reino Unido.

Inscrições em: http://www.cienciaviva.pt/actividades2010/famelab2017_inscricoes/index.asp

Mais informações sobre o FameLab Portugal em http://www.cienciaviva.pt/famelab/

*Crédito da foto @pavilhão do conhecimento
Iniciativas

Rochas não são coisas do passado

Foi inaugurada ontem a exposição Rochas não são coisas do passado, uma exposição de materiais geológicos didático-pegadógicos patente até 22 de março no Museu da Escola Sá de Miranda em Braga. 

Esta exposição, organizada no âmbito do ciclo Território, Sociedade e Sustentabilidade, o 4º ciclo de conferências e eventos comemorativo dos 180 anos da Escola Sá de Miranda, pretende dar a conhecer à comunidade o rico espolio museológico desta instituição. Este compreende varias centenas de exemplares de rochas, minerais e fósseis que vêm sendo usados há quase dois séculos para o ensino das ciências na terra.

Pretendemos com esta exposição, divulgar o património museológico único desta escola, partilha-lo com a comunidade e com a cidade de Braga, mas mais do que isso, demonstrar que de facto, rochas não são coisas do passado.

As amostras expostas, oriundas de diferentes locais no mundo, são foram escolhidas devido à sua raridade, representatividade, ou importância história e são demonstrativas da geodiversidade nacional e internacional. Através delas ficamos a conhecer um pouco da geologia e história geológica do nosso país e temos uma perspectiva da geodiversidade do planeta terra. Temos ainda a possibilidade de fazer uma viagem pela história do ensino das ciências naturais do Liceu Sá de Miranda, desde o século XIX até aos dias de hoje.

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Na exposição poderão ser observados exemplares de rochas, minerais e fósseis de todo o mundo, colecionados ao longo de quase dois séculos, podem ainda ser consultados livros técnicos de geologia e mineralogia e manuais do ensino das ciências da terra.

Estão presentes diversos exemplares de rochas, sedimentares, ígneas e metamórficas, algumas das quais raras, que são representativas da geodiversidade particular do nosso país. Exemplo disso é o caso do granito com nódulos de biotite, conhecido como pedras parideiras que ocorrem na aldeia da castanheira em Arouca, que é fenómeno único e digno de destaque internacional.

Minerais

Exemplos de minerais que pela sua raridade e dimensões se tornam de particular interesse, como um quartzo leitoso gigante, ou uma rosa do deserto, oriunda do norte de África.

Fósseis

A exposição contempla diferentes fosseis representativos de diferentes Eras da história da Terra, desde o paleozóico até ao cenozoico. São exemplos um fossil de peixe muito bem preservado oriundo do brasil ou uma trilobite de Canelas, em Arouca.

Livros

Encontram-se ainda expostos, diversos livros da biblioteca antiga do Liceu Sá de Miranda. São manuais de geologia do ensino básico, livros técnicos, e manuais dedicados ao ensino superior. Entre eles encontramos compêndios de mineralogia e geologia do professor Manuel de Oliveira Faria, professor desta casa durante vários anos, e do Professor Gaspar de Carvalho, catedrático da Universidade do Minho, recentemente falecido.

Mapas

Na galeria do museu o visitante encontrará expostos diversos mapas geológicos e geomorfológicos pertencentes ao espólio do museu, incluindo uma carta geológica de Portugal datada dos anos 60 do século passado e uma carta geológica do conselho de braga, uma das muitas cartas geológicas à escala 1:50 000 que cobre todo o território português.

Escola Sá de Miranda

A escola Sá de Miranda ou Liceu Sá de Miranda como foi designado até aos anos 70 de século passado e como é ainda conhecida na cidade é a escola mais antiga e emblemática da cidade de Braga.

Foi fundada em 1836 por passos Manuel, numa iniciativa visava criar um liceu em cada capital de distrito do país.

Em 1922 o liceu mudou-se para o edifício do extinto Colégio Espirito Santo, onde se encontra até hoje.

A escola possui um espólio museológico de ciências naturais muito rico, talvez o mais rico de todos os antigos liceus portugueses, que compreende milhares de objetos entre rochas, minerais, fósseis, material laboratorial e didático de diferentes disciplinas (biologia, geologia, física, química, astronomia) e que é dotado de uma coleção notável de seres vivos taxidermizados.

Mitos

Plantas no quarto fazem mal à saúde?

O mito 

Provavelmente já todos ouvimos dizer que colocar plantas no quarto não é boa ideia.

Este mito diz que as plantas, durante a noite, param de fazer fotossíntese e fazem respiração aeróbia competindo com o ser humano por oxigénio. Será verdade?

O que diz a ciência

Tanto plantas como animais fazem respiração aeróbia durante todo o dia, consumindo oxigénio e liberando dióxido de carbono.

As plantas, por seu lado e na presença de luz solar, fazem fotossíntese. Esta é o processo de produção de energia das plantas a partir do dióxido de carbono da atmosfera. Assim estas durante o dia consomem dióxido de carbono e produzem oxigénio. É assim que o oxigénio que nós humanos respiramos é produzido, através da fotossíntese das plantas.

À noite, na ausência de luz solar, a fotossíntese cessa e as plantas continuam tal como os humanos a respirar consumindo oxigénio e libertando dióxido de carbono. A grande diferença está na quantidade de oxigénio consumido.

O consumo de oxigénio pela planta durante a noite é tão pequeno que não afeta o oxigénio disponível para nós. Para além disso os nossos quartos são arejados o suficiente para que haja renovação constante do ar.

Pense nisto: quando dorme acompanhado, preocupa-se que a pessoa ao seu lado consuma demasiado oxigénio? Claro que não. Da mesma maneira não precisa de se preocupar com o consumo da planta, que é francamente menor do que o dos seres humanos!

Origem

Há várias origens possíveis com este mito, mas uma das mais prováveis tem a ver com de facto de a maioria dos hospitais não permitir plantas nas enfermarias. Isto na verdade não tem a ver com a respiração aeróbia noturna das plantas, mas com a possível presença de bactérias na terra dos vasos que se podem disseminar e pôr em causa a saúde dos pacientes.

No entanto, apesar desta regra dos hospitais, vários estudos sugerem que a presença de plantas na enfermarias pode ser benéfica para a saúde emocional dos pacientes acelerando a sua recuperação.
Leia mais sobre o assunto aqui:

http://indianapublicmedia.org/amomentofscience/sleeping-with-plants/

http://horttech.ashspublications.org/content/18/4/563.full

http://commons.pacificu.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1470&context=pa

 

Crédito da foto: http://unsplash.com/@marksolarski
Scicomm

Podcasts para ouvir em 2017

Partilho alguns podcasts de ciência que não pode perder em 2017.

90 segundos de Ciência

Com o mote dar voz aos investigadores portugueses em 90 segundos de ciência este podcasts, apesar de muito recente, já se tornou imperdível para quem quer acompanhar a ciência que se faz em Portugal.

Produzido pelo Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier ITQB NOVA, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – FCSH NOVA e pela e Antena 1, com o apoio da Novartis passa na Antena 1 duas vezes por dia, de segunda à sexta, antes das 11 da manha e das 7 da tarde.

The Story Collider 

The Story Collider é um podcast para quem ama ciência e estórias de ciência. Alia duas das minhas coisas preferidas: ciência e storytelling  e fa-lo de forma quase perfeita. Em StoryCollider ficamos a conhecer histórias reais e pessoais sobre ciências, pela voz de quem as viveu.

RadioLab

Uma descoberta de 2016, que já se tornou num dos meus podcasts preferidos. RadioLab não é necessariamente um podcast de ciência, muito embora tenho muita ciência pelo meio. RadioLab é, segundo os autores um podcast sobre curiosidade onde o som ilumina ideias e os limites entre ciência, filosofia e experiência humana se tornam difusos. 

Talk Nerdy 

Cara Santa Maria, jornalista, science writer e comunicadora de ciência é a autora deste podcast. Semanalmente,  Cara conduz conversas interessantes com pessoas interessantes sobre temas interessantes, normalmente cientistas e investigadores.

The Naked Scientist 

Um dos primeiros podcasts de ciência a surgir, há mais de 15 anos, The Naked Scientist continua a valer a pena. Produzida pelo Institute of Continuing Education (ICE) da Universidade de Cambridge no Reino Unido este podcast junta cientistas, professores médicos e comunicadores cuja paixão é ajudar o público em geral a compreender e envolver-se com o mundo da ciência, tecnologia e medicina.

 

E os vossos podcasts favoritos, quais são?

Livros, Scicomm

3 livros para comunicadores de ciência

 

 

Partilho três livros que estão constantemente na minha mesa de trabalho e aos quais recorro com frequência, seja para tirar dúvidas, para procurar dicas rápidas ou para aprender mais.

São três livros práticos, muito úteis para comunicadores de ciência.

Science Writers’ Handbook: Everything you need to know to pitch, publish and prosper in the digital age. Criado pela equipa da rede de comunicadores de ciência SciLance este livro pretende ser um guia prático para comunicadores de ciência freelancers. Contêm dicas de 35 comunicadores de ciência e jornalistas, espalhados por 26 capítulos. Contempla diversos aspetos importante para um comunicador freelancer, desde os aspetos mais técnicos (como estruturar uma história, como conduzir entrevistas e pesquisar temas) até aspetos mais formais (como lidar com editores, como gerir redes sociais).

Science Blogging, The Essential Guide. Editado por dois comunicadores de ciência, Christie Wilcox e Jason G. Goldman, este livro pretende ser um manual para comunicar ciência online endereçado a cientistas, jornalistas ou comunicadores de ciência. Aqui, 27 comunicadores de ciência e jornalistas partilham a sua experiência e deixam dicas práticas muito úteis para quem tem ou quer planeia criar um blog de ciência.

Houston, We have a narrative. Escrito pelo cientista-transformado-em-cineasta Randy Olson este livro explora a importância das narrativas e do storytelling na escrita científica.  Randy utiliza a sua própria estória de vida, desde de professor associado numa universidade até cineasta novato para ir explicando ao leitor a importância das narrativas na comunicação de ciência. É uma excelente ferramenta para quem quer introduzir algumas técnicas de storytelling nos seus trabalhos sobre ciência ou para quem quer tão somente melhorar a narrativa dos seus textos.

Storytelling

Rocha ou trilobite?

Rocha ou trilobite?

Uma estória com 500 milhões de anos.*

O que vê nesta imagem?

Certamente que o leitor vê uma rocha, ou uma pedra. E se eu lhe disser que vejo um livro?

Sim, leu bem. Um livro.

Bem sei que corro o risco de o leitor julgar que sou com o Dom Quixote, já que vejo livros onde os outros vêm pedras, mas repare bem: Este objeto permite-me descobrir coisas novas, viajar até ao passado e imaginar o futuro… tal e qual como um bom livro!

Nós, os geólogos, somos treinados para interpretar as rochas, para encontrar nelas vestígios da história da terra.

A estória desta rocha é muito especial, porque conta uma parte da história do nosso país.

Esta é uma rocha metamórfica chamada quartzito. Foi encontrada numa praia no norte de Portugal, mas poderia ter sido encontrada numa montanha da Beira Baixa ou do Atentejo. Faz parte de uma grande unidade chamada Quartzito Armoricano, que tem mais de 400 milhões de anos e se prolonga por toda a Europa.

Este tipo de rochas formam-se a partir de alterações, em condições de pressão e temperatura muito elevadas, de outras rochas, como areias ou argilas.

Um observador atento reparará numas pequenas marcas na rocha. Estas não são umas marcas quaisquer. São um fóssil, chamado cruziana. As cruziana são icnofósseis, marcas da passagem de seres vivos. Estas foram deixadas por animais chamados trilobites. Artrópodes marinhos que viveram há 500 milhões de anos, povoando as águas geladas dos fundos dos oceanos.

Eram animais fascinantes… Mas feios! Tinham um corpo achatado, alongado e rígido, coberto por uma estrutura quitinosa. O seu corpo estava dividido em três lobos, o cefalão (ou a cabeça) o tórax e o pigídio (ou cauda) e tinham mais de uma dezena de pares de patas, que se prolongavam por todo o corpo, as pleuras.

A forma com se alimentavam era peculiar. Cavavam túneis nas areias e argolas dos fundos oceânicos à procura de vestígios de matéria orgânica. Ingeriam a matéria orgânica, misturada com os sedimentos, que filtravam posteriormente, dentro do seu organismo. Este processo revelou-se muito útil para os geólogos. Enquanto a maioria dos túneis foram destruídos pelas correntes dos fundos marinhos, alguns foram preservados e fossilizaram.

A análise destes vestígios permite-nos recolher imensa informação sobre a geografia da terra na altura em que as trilobites viveram. Permitem-nos saber que havia trilobites de todos os tamanhos, desde as mais pequenas que mediam apenas alguns centímetros, até à maiores, as trilobites gigantes que mediam perto de um metro de comprimento.

O tipo de rochas em que encontramos os seus fósseis permite-nos compreender em que ambiente estes animais viviam, aguas profundas e frias de climas tropicais.

Assim, era impossível Portugal, há 500 milhões de anos, estar na mesma latitude em que está hoje. Na verdade, nesta altura, o território de Portugal  fazia parte de um fundo marinho num bordo de um oceano, localizado no hemisfério sul, perto da linha do equador.

Por isso, deixo-vos um conselho, da próxima vez que estiverem com um geólogo, deem-lhe uma rocha e peçam-lhe para vos contar uma historia.

*Este texto foi originalmente apresentado na candidatura ao concurso de comunicação de ciência, Famelab, em março de 2016
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Noite Europeia dos Investigadores 2016

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A edição de 2016 da Noite Europeia dos Investigadores (NEI) está quase a chegar. É já no dia 30 de Setembro que a ciência sai à rua para partilhar com o público a investigação que se faz em Portugal, nas várias áreas da ciência.

Este ano subordinada ao tema FORESEIGHT: Como será a vida em 2030.  Nesta edição a ciência sai à rua para discutir o futuro da humanidade com base nos últimos avanços científicos. As atividades vão estender-se a 18 locais, de norte a sul do país, do arquipélago dos Açores ao da Madeira desde Guimarães até Tavira passando por Braga, Aveiro, Lisboa, Proença-a-Nova, Estremoz, Porto Moniz e São Miguel e tantos outros.

O programa definitivo e detalhado está disponível no site Noite Europeia dos Investigadores e todas as novidades serão divulgadas na Página Oficial de Facebook da NEI.

Eu também vou participar neste evento, numa iniciativa que une o FameLab ao Pavilhão do conhecimento, a contar mais uma estória de ciência.

Novidades para breve!